20 de agosto de 2015
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Cleber Anderson fala sobre o L’Étape Brasil by Le Tour de France

©lassedesignen/Shutterstock

body.mag conversou essa semana com Cleber Anderson, Diretor Técnico do L’Etape Brasil – uma prova sensacional para os amantes de ciclismo de estrada amadores e, ao mesmo tempo, uma oportunidade sentir de perto os desafios existentes em uma etapa de montanha do Tour de France.

Nesta primeira matéria sobre o L’Etape, Cleber contou para nós um pouco sobre como ele fez para esta prova chegar ao Brasil, além de dar dicas aos atletas que resolverem participar. Vale conferir!

body.mag: Como foi a escolha de Cunha para sediar a primeira etapa do L’Etape Brasil?

Cleber: Em 2014 quando propus a ASO e ao Grupo Manga fazermos juntos o L’Etape Brasil, já tinha as estradas do Município de Cunha na cabeça devido à aclividade desafiadora, às estradas perfeitas sem nenhum buraco, à paisagem maravilhosa e à receptividade da população que é emocionante. Em 2007 realizei o Mountain Bike Trip Trail de Campos do Jordão a Paraty e conheci muito bem a região. Mas, depois que as estradas de asfalto foram reformadas, minha alma de ciclista de estrada começou a ficar inquieta.

body.mag: Qual o formato dos L’Etape by Le Tour pelo mundo?

Cleber: Os L’Étapes by Le Tour de France seguem a receita do original, ou seja, ser um desafio onde o ciclista amador tenha que se preparar bem para realizá-lo, pois o percurso já será difícil para um ciclista profissional ou de elite, assim como uma etapa de montanha do Tour de France.

body.mag: Como foi o L’Étape na França esse ano e como será em Cunha? Quais desafios?

Cleber: O L’Étape du Tour deste ano teve 138km com uma ascenção de 4609m (soma de tudo que o ciclista sobe em altitude). Isso dá uma relação de 33,39m/km. Já o L’Étape Brasil tem um trajeto de 111km com 2870m de ascenção (25,85m/km), mas o que mudam são as inclinações máximas que os ciclistas encontrarão espalhadas pelas subidas. Existe um ponto de 18% de inclinação máxima durante 200m na subida de retorno para Cunha depois que vamos para a Divisa SP/RJ. Além disso, temos vários pontos de 12 a 14% nas demais subidas. Esses serão os maiores desafios físicos. Comparado com a edição de 2011 do L’Étape du Tour, com distância semelhante ao nosso, entre Modane e L’Alpe d’Huez com 109km, os ciclistas escalaram 3172m, com ponto de inclinação máxima de 13%. Sendo assim, acreditamos que reproduzimos o L’Étape du Tour no quintal de nossas casas, fato confirmado pelos diretores técnicos da ASO.

body.mag: Qual o conselho aos ciclistas que irão participar?

Cleber: Devido às inclinações máximas, aconselhamos que todos vão preparados com relação de marchas bem reduzida como, por exemplo, 34×32 (número de dentes da coroa menor e do maior pinhão do cassete), ou até instalem componentes de bicicletas de mountain bike em suas speeds.

body.mag: Conte um pouco mais sobre o percurso.

Cleber: O trajeto também é desafiador, pois as estradas são extremamente sinuosas, mas, em relação ao L’Étape du Tour desse ano, a qualidade de nosso asfalto é impecável. Na França, este ano, tivemos muitas descidas bem estreitas e, às vezes, piso irregular e um pouco de areia nas curvas.
O ideal é que, se for possível, o participante organize um treino no percurso antes de fazer a prova para se preparar bem para o desafio. A cada final de semana, Cunha já recebe dezenas de ciclistas fazendo o mesmo!

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Sobre CLEBER ANDERSON

CLEBER ANDERSON

Diretor Técnico do L'Étape Brasil by Le Tour de France, Diretor da Anderson Bicicletas, especialista em Bike Fit, organizador de viagens ciclo-esportivas (Operador oficial e pioneiro para o L'Étape du Tour / Tour de France há 11 anos), autor do Guia Bike na Rua, enviado da ESPN ao Tour de France, ciclista de estrada desde os 12 anos, ex-ciclista de Seleção Brasileira e um dos pioneiros do Mountain bike no Brasil.

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